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Reflexões

Duas reflexões por semana sobre Jesus, fé e vida hoje.

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Sem se vender

Jesus estava num banco junto ao metro, em Lisboa, telemóvel na mão, e o ecrã despejava promessas rápidas: fama, influência, dinheiro, validação. Em 2026, a tentação já sabe falar a linguagem do algoritmo. Depois de horas sem comer e em silêncio, ele sentia a pressão de usar a falta que doía para ganhar qualquer coisa já, transformar carência em espectáculo, provar valor à força. Mas não entrou no jogo. Olhou para o ecrã apagado e disse baixo que nem tudo o que mata a fome de agora alimenta a vida a sério. E quando a fome é de atenção, vale mesmo trocar a verdade por likes só para parecer alguém? Jesus deixou claro que nem o vazio se cura com truques, nem Deus se testa, nem a alma se vende por poder. O metro continuou cheio, os anúncios continuaram a piscar, mas a pressão de se provar ficou no banco. Ele levantou-se mais leve, sem correr por dentro atrás de aplauso.

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Antes de escrever

No metro, a caminho do trabalho, Inês deslizava o dedo no telemóvel como quem afia uma faca. No ecrã, uma rapariga chorava depois de se enganar em directo, e a caixa de comentários já parecia um tribunal. Inês abriu espaço para escrever uma frase polida por fora e cruel por dentro. Em 2026, basta um toque para transformar a vergonha de alguém em entretenimento. Jesus, sentado ao lado como se viesse de uma manhã normal, não falou do vídeo; falou do hábito. Que ganho há em apontar a falha alheia se isso só serve para não encarar o que está torto cá dentro? Ele deixou claro: a verdade sem humildade vira crueldade, e ninguém ajuda outro a ver melhor enquanto se recusa a olhar para si. Inês apagou o comentário, fechou a aplicação e ficou presa ao reflexo no vidro do metro. A rapariga continuou no ecrã, mas o centro da cena mudou. A pressa de julgar largou-lhe o volante.

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Quando o amanhã deixa de mandar

Leonor saiu do metro em Lisboa com o telemóvel na mão e o peito apertado. Em 2026, bastou um olhar para o saldo da conta e para os rumores de cortes no portátil para o mês ficar ainda mais curto: renda, passe, supermercado, tudo a falar ao mesmo tempo. Entrou no café em frente ao escritório já cansada por dentro. Jesus estava ao balcão, a olhar para os pombos na esplanada e para umas flores teimosas a nascer junto ao passeio. Disse-lhe baixo que a ansiedade não alimenta ninguém, só ocupa espaço. E se o problema não fossem as contas, mas o medo a mandar mais do que a confiança? Ele puxou a atenção dela para o que estava mesmo ali: Deus sabe do que faz falta hoje. Viver com justiça e sem pânico não paga a renda por magia, mas tira o medo do volante. Leonor voltou para o open space com o mesmo chefe e o mesmo ordenado. O que mudou foi isto: o amanhã deixou de ser patrão, e o hoje voltou a ter ar.

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Quando a vergonha perde o megafone

Leonor saiu da escola com o telemóvel colado à mão e o estômago apertado. Em 2026, a crueldade também chega em notificações: no grupo da turma, um colega estava a ser triturado por um vídeo editado para o ridículo, e cada resposta puxava outra, como se a maldade precisasse de plateia. Jesus estava no murete junto à paragem do autocarro, a olhar para aquele barulho todo como quem vê por dentro. Ela tinha um comentário meio escrito e o medo de ser a próxima. Então ele deixou a lição simples: no seu reino, força não é esmagar; é ter misericórdia, fazer paz e ficar do lado do que é certo. E se perder likes por não entrar na humilhação não for fraqueza, mas coragem limpa? Leonor apagou o que ia escrever, atravessou a rua e sentou-se ao lado do colega. O telemóvel continuou a vibrar, mas deixou de mandar nela. Naquela paragem, a vergonha perdeu o megafone e a paz ganhou lugar.

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