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A Vinha Tem Dono

A Vinha Não É Nossa

Lucas 20:9-16 ⁹ Então Jesus passou a contar ao povo esta parábola: "Certo homem plantou uma vinha, arrendou-a a alguns lavradores e ausentou-se por longo tempo.
¹⁰ Na época da colheita, ele enviou um servo aos lavradores, para que lhe entregassem parte do fruto da vinha. Mas os lavradores o espancaram e o mandaram embora de mãos vazias.
¹¹ Ele mandou outro servo, mas a esse também espancaram e o trataram de maneira humilhante, mandando-o embora de mãos vazias.
¹² Enviou ainda um terceiro, e eles o feriram e o expulsaram da vinha.
¹³ "Então o proprietário da vinha disse: ‘Que farei? Mandarei meu filho amado; quem sabe o respeitarão’.
¹⁴ "Mas quando os lavradores o viram, combinaram entre si dizendo: ‘Este é o herdeiro. Vamos matá-lo, e a herança será nossa’.
¹⁵ Assim, lançaram-no fora da vinha e o mataram. "O que lhes fará então o dono da vinha?
¹⁶ Virá, matará aqueles lavradores e dará a vinha a outros". Quando o povo ouviu isso, disse: "Que isso nunca aconteça! "

Vivemos num tempo em que quase tudo nos empurra para a ilusão do controlo: a agenda no telemóvel, a imagem nas redes, os projectos que chamamos "meus". Sem dar por isso, podemos começar a tratar como propriedade aquilo que, na verdade, apenas nos foi confiado.

Nesta parábola, o centro não está apenas na maldade dos lavradores, mas na verdade que eles recusam aceitar: a vinha tem dono. Eles recebem o privilégio de trabalhar nela, mas não suportam a ideia de prestar contas. Por isso rejeitam os servos e, por fim, o filho amado. Jesus mostra como o coração humano pode desfrutar dos dons de Deus e, ao mesmo tempo, resistir à sua autoridade. Queremos o fruto, mas não o Senhor da vinha; queremos a herança, mas sem relação, sem obediência, sem rendição.

Também aqui há um retrato comovente da paciência de Deus. O proprietário não desiste ao primeiro desprezo; envia servo após servo. E depois envia o filho amado. Esta paciência não é fraqueza: é misericórdia. Mas a parábola também avisa que a misericórdia recusada endurece o coração e conduz a juízo. Há um momento em que Deus retira das nossas mãos aquilo que administrámos com rebeldia. Esta palavra não foi dada para nos esmagar, mas para nos despertar: ainda hoje é tempo de reconhecer o Filho, honrá-lo e devolver ao Senhor o lugar que lhe pertence.

Quando percebemos que a vida não é nossa vinha privada, muda a forma como lidamos com o tempo, os relacionamentos, os recursos e até com os nossos talentos. Em vez de posse, nasce gratidão. Em vez de autonomia orgulhosa, nasce responsabilidade santa. O caminho seguro não é agarrar mais, mas render mais: "Senhor, o que me deste é teu; ensina-me a cuidar disso como teu servo, não como dono."

Exercício

Hoje, escolhe uma área concreta da tua vida que tens tratado como se fosse apenas tua — o teu tempo, dinheiro, trabalho, família ou reputação. Pega num ficheiro, caderno ou nota no telemóvel e escreve: "Isto foi-me confiado, não me pertence." Depois define uma acção prática de entrega nessa área para as próximas 24 horas: cancelar algo movido por ego, pedir perdão, partilhar um recurso, ou usar o teu tempo para servir alguém.

Para reflectir

Em que área da tua vida tens desfrutado da vinha, mas resistido ao direito que o Filho tem de governá-la?