A felicidade ao contrário
² e ele começou a ensiná-los, dizendo:
³ "Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus.
⁴ Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.
⁵ Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança.
⁶ Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.
⁷ Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia.
⁸ Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.
⁹ Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.
¹⁰ Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus.
¹¹ "Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.
¹² Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês".
Num tempo em que o ecrã mede valor por desempenho, visibilidade e reacção imediata, é fácil chamar “abençoado” a quem parece forte, admirado e sempre no controlo. Jesus, porém, chama felizes pessoas que o mundo costuma achar frágeis, incómodas ou sem brilho.
Aqui, a verdadeira vida não começa na autossuficiência, mas na dependência de Deus. Os pobres em espírito reconhecem que não se bastam a si mesmos; os que choram não são ignorados; os humildes não ficam para trás no olhar do Senhor; os que têm fome e sede de justiça não desejam apenas ter razão, mas ver o bem de Deus florescer. A misericórdia, a pureza de coração e a promoção da paz não são sinais de fraqueza, mas frutos de um coração governado pelo Reino.
Jesus também não romantiza a dor nem a oposição. Ele diz que, mesmo quando há perda, incompreensão ou perseguição por causa da justiça e da fidelidade a Ele, a última palavra não pertence ao desprezo dos outros. Pertence a Deus. Isto liberta-nos da necessidade de construir uma imagem perfeita e convida-nos a viver com verdade: admitir a nossa pobreza interior, levar o luto a Deus, escolher a mansidão em vez da dureza, procurar a paz em vez de alimentar a guerra, até quando isso custa. A bem-aventurança não é uma vida sem feridas; é uma vida alcançada pela presença, pela promessa e pelo Reino de Deus.
Exercício
Hoje, antes de pegares no telemóvel pela manhã, reserva três minutos em silêncio e escreve num ficheiro ou num papel três frases curtas: “Preciso de Deus em…”, “Estou a sofrer por…”, “Posso semear paz em…”. Depois escolhe uma acção concreta para o mesmo dia que combine com o que escreveste: pedir perdão, escutar alguém sem te defenderes, ajudar uma pessoa em dor ou recusar entrar numa discussão agressiva online. Se quiseres, termina com esta oração breve: “Senhor, ensina-me a viver à maneira do teu Reino.”
Para reflectir
Que tipo de “felicidade” tenho procurado ultimamente: a que me faz parecer forte aos olhos dos outros, ou a que nasce de depender verdadeiramente de Deus?