#jesus

Sem se vender

Num banco junto ao metro, com o ecrã a prometer fama e validação, Jesus sente a fome a apertar. O silêncio pesa quando a carência pede um atalho para provar valor

Sem se vender

Jesus estava num banco junto ao metro, em Lisboa, telemóvel na mão, e o ecrã despejava promessas rápidas: fama, influência, dinheiro, validação. Em 2026, a tentação já sabe falar a linguagem do algoritmo. Depois de horas sem comer e em silêncio, ele sentia a pressão de usar a falta que doía para ganhar qualquer coisa já, transformar carência em espectáculo, provar valor à força. Mas não entrou no jogo. Olhou para o ecrã apagado e disse baixo que nem tudo o que mata a fome de agora alimenta a vida a sério. E quando a fome é de atenção, vale mesmo trocar a verdade por likes só para parecer alguém? Jesus deixou claro que nem o vazio se cura com truques, nem Deus se testa, nem a alma se vende por poder. O metro continuou cheio, os anúncios continuaram a piscar, mas a pressão de se provar ficou no banco. Ele levantou-se mais leve, sem correr por dentro atrás de aplauso.

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